Ferro-velho (música)

Maurício Detoni, Carolina Conti e Sibélia Zanon

Debaixo da pena azulada
Penugem corada
E um cisco de sol
Dois olhos de lua anoitada
Gorjeio encantado
Tingindo o arrebol

Entre as folhas do gravatá
E nas bordas de um verdejar
Da ferrugem nasce canção
A gaita no peito
É o seu coração

Alcaide, chincharra, tieté
Palmeira que é tua na copa
Um colorido no pé
Tão alto te vejo
Será que me nota?

Ferro-velho leva no voo
O que ninguém nunca viu
Uma pena de alegrar
Um canto de acordar o rio

Durante alguns meses da pandemia, uma visita foi frequente no quintal. O ferro-velho (Euphonia pectoralis), também conhecido como alcaide, chincharra ou tieté, tinha se tornado um frequentador assíduo do arbusto de urtiga – na época carregado de pequenas frutas globosas em frente à minha janela. Num daqueles dias, contei as novas do quintal para a Carol Conti, que logo quis homenagear o companheiro alado. Assim, fizemos juntas essa letra, que caiu na graça e nas cordas de Maurício Detoni, nosso querido músico-biólogo.