publicado por agência Mongabay
Do shampoo inspirado nas teias de aranha ao hotel projetado com base nos atributos térmicos do bico dos tucanos, cientistas e empresas do país estão apostando na inteligência da natureza para criar soluções inovadoras que reduzam os impactos no planeta.
Ao valorizar o design multifuncional e o uso de materiais que a natureza reconheça e possa integrar em ciclos produtivos, a biomimética reforça a otimização de recursos e alinha-se aos princípios da economia circular. Diferentemente de um modelo econômico linear, baseado em extração, transformação e descarte, o modelo circular dissocia o crescimento econômico do consumo de recursos finitos e implementa o uso de energia renovável.
A biomimética começou a ser implantada de modo sistemático no mundo nos anos 1990, inicialmente focada em eficiência energética. Exemplos clássicos são edifícios no Zimbábue e na Austrália inspirados na circulação de ar em cupinzeiros e o princípio das nadadeiras das baleias aplicado à geração de energia eólica. Nos últimos anos, surgiram projetos como o das paredes antissépticas que imitam a pele dos tubarões.
No Brasil, proliferam os cursos de imersão na Amazônia e no Cerrado concentrados na inovação de materiais, assim como o surgimento de consultores e startups de biomimética. Em 2018, a Nucleário tornou-se a primeira empresa brasileira a ganhar um prêmio concedido pelo Biomimicry Institute, graças à sua tecnologia para proteção de árvores em projetos de reflorestamento com base em princípios das sementes aladas e das bromélias.
