A mente aceita só aquilo em que acredita, dizem cientistas

O Estado de São Paulo

Narciso acha feio o que não é espelho, canta Caetano Veloso em Sampa. Não foi em São Paulo, mas em Londres na década de 1960 que o psicólogo Peter Wason deu o nome de viés de confirmação para o mecanismo que induz a mente humana a aceitar as informações que sustentam as próprias crenças, ao invés de questionar e ter abertura para analisar outros tipos de informação.

A ideia de uma mente racional, a serviço de apreender a realidade tal qual ela é, seguiu sendo desacreditada na década seguinte. Em 1979 foi realizado um estudo na Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, com estudantes universitários que tinham opiniões opostas sobre a pena de morte. Com base em dois artigos falsos – um que argumentava a favor e outro contra a pena de morte -, os estudantes apoiaram justamente aquele artigo que confirmava sua crença original. O estudo mostrou que ter as certezas contestadas serviu apenas como reforço para as próprias convicções.

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