Thiago Thiago de Mello e Sibélia Zanon
Lá bem no fundo
Guardada em chão
Eu, sapopema
Eu, vastidão
Lá bem no cerne
Do corpo-grão
Ser da árvore
A fundação
Aérea sem voar
Aguada faz chover
Amada sem um par
A sina de prover
E arvorecer
E florescer
Lá no igapó
Inundação
Eu, sapopema
Ancoração
Lá no cerrado
Chichá canção
Eu, sapopema
Eu, coração
Aérea sem voar
Aguada faz chover
Amada sem um par
A sina de prover
E arvorecer
E florescer
E renascer
Engrandecer
Tem coisa mais linda que raízes aéreas?
Essa contradição entre algo que nos finca no chão ao mesmo tempo que nos faz voar…?
Talvez ter os pés plantados em chão seja mesmo o impulso possível para o voo.
Um dia, Thiago contou que queria novas letras para compor. Quando a música dele enraizou a minha letra na voz, nasceu um voo em forma de Sapopema.
