Xavier Bartaburu e Sibélia Zanon
Umbuzeiro, guarda minha sombra
O chamego que eu bem sonho ter
Eu mais você quero é ser menino
E no teu fruto vou me socorrer
Umbu doce da carne macia
Eu bem sei que não me queres mal
Mas a chuva abandonou a lida
Ando e navego entre sol e sal
Os rios intermitentes de você
Me fazem sorrir chorar até verter
E me acalmo no leito da vida
Na esperança de matar a sede
Mas o teu peito guarda a ferida
Secura vem de dentro da nascente
Gameleira, acolhe minha sombra
Conta os tempos do amadurecer
Cura o corpo dessa minha falta
Firma as raízes no entardecer
Mata branca tem desejo ardente
De resistir sem nem querer morrer
Quem se vai deixa aqui a semente
Pra temperança persistir, vencer
Os rios intermitentes de você
Me fazem sorrir chorar até verter
E me acalmo no leito da vida
Na esperança de matar a sede
Mas o teu peito guarda a ferida
Secura vem de dentro da nascente
A boniteza e o sabor dos biomas brasileiros e de seus frutos transbordam do jornalismo e se esparramam por poema de palavra e som. Sabendo das inclinações afetivas de Xavier Bartaburu pela Caatinga, foi pra ele que enviei esses umbus. Eles voltaram musicados, com natureza ensolarada, aguada e cheia de ginga.
