Ele anunciou a própria morte. Cantava alto na boca da toca de uma aranha-caranguejeira. Então, foi capturado. Por pesquisadores.
Foi por causa do canto diferente que o sapo, batizado Neblinaphryne imeri, chamou a atenção dos cientistas que andavam em solo íngreme e lamacento, no novembro chuvoso de 2022, no alto de um pico na Serra do Imeri, divisa entre o estado do Amazonas e a Venezuela.
“Essa foi a expedição mais difícil que eu já fiz na minha vida”, conta Miguel Trefaut Rodrigues, que tem mais de 40 anos de experiência em viagens de campo e liderou a equipe de 14 pesquisadores durante os 12 dias de acampamento no topo de uma montanha, a quase 1.900 metros de altitude.

