Roças quilombolas do Vale do Ribeira conciliam produção e conservação

publicado por agência Mongabay

O Sistema Agrícola Tradicional Quilombola (SATQ) do Vale do Ribeira foi reconhecido em 2018 Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil. Dentre os saberes dos povos quilombola, está o plantio na lua minguante para evitar o uso de agrotóxicos.

A roça-de-toco ou coivara se baseia no rodízio das áreas, unindo produção e conservação. O Vale do Ribeira concentra o maior remanescente contínuo de Mata Atlântica do Brasil, abrigando mais de 20% dos 7% de floresta que restam do bioma.

Os quilombolas têm histórico de lutas para continuar praticando seu sistema agrícola tradicional, ameaçado pela falta de ordenamento territorial adequado dentro da APA dos Quilombos do Médio Ribeira.

Com sede própria no Quilombo Nhunguara, a Rede de Sementes do Vale do Ribeira gerou R$ 120 mil em 2021. Em quatro quilombos, 42 participantes coletaram 1.400 kg de sementes, usadas por iniciativas de restauro no replantio da Mata Atlântica.